terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Encontros


Colecionadores de quadrinhos, geralmente, têm algumas histórias para contar. Umas boas, outras ruins. 

Esse fato que aconteceu comigo foi, no mínimo, obra do destino que disse: “Esse é o cara”.
Por volta do ano de 1989, eu era um simples estudante do segundo grau (sim, eram tempos pré-históricos), apenas tentando passar de ano e conseguir comprar meus quadrinhos. Eu não trabalhava na época, então fazia alguns “bicos” para conseguir manter esse vício que somente quem vive esse mundo conhece. 

Nessa época, como a grana era curta, eu acompanhava apenas duas publicações: Homem-Aranha e A Espada Selvagem de Conan, ambas da Abril. Naquele mês, já adquirira o HA.Faltava a Espada.
Mas, como na vida de pobre, a grana sempre acaba antes do mês, fiquei liso e a revista já estava nas bancas. E justamente no mês em que chegava ao fim a saga da Rainha da Costa Negra. Era a edição 57.
Pura pindaíba mesmo. O jeito foi me conformar e continuar com os estudos. Mas confesso que a decepção foi grande. Enfim, bola para frente.

Mas como disse lá em cima, o destino sorriu para mim de uma forma que nunca imaginara. Lá pelas 23:00, voltando das aulas (é, eu estudava à noite, para tentar trabalhar durante o dia), após me despedir de um colega de classe, o que vi? Quando conto, ninguém acredita. À minha frente, a uns cinco metros de distância, notei algo espalhado pelo chão. Nesse caso, a curiosidade não matou o gato e eu me aproximei.

Quando cheguei perto, a surpresa (que todos já devem desconfiar): a edição que não pude comprar estava ali, aberta, de capa para cima, atraindo meu olhar de total incredulidade. Dizem que Davis Crippen é o santo protetor dos quadrinhos. Se existe um santo para os colecionadores, juro que não fiz qualquer promessa, mas mesmo assim, ela estava ali, ao meu alcance. Não pensei duas vezes, peguei-a e tratei de limpá-la. Estava meio detonada, mas nada faltando e com capa em boas condições para uma revista achada em plena rua àquela hora. Voltei para casa e devorei a revista com a pressa de quem demorou muito a ler uma história há muito esperada.

Nunca soube se alguém perdeu ou se desfez da revista (neste caso, agradeço pela pessoa não ter tido sendo ambiental), mas o fato é que não pulei a edição e, nos meses seguintes, de uma forma ou de outra, consegui comprar todas as edições. Poucos meses depois, consegui um emprego e as coisas melhoram bastante.

Por isso, caros colecionadores, não desanimem perante alguma dificuldade como namorada ou esposa que não lhe entende e algumas traças que insistem em aparecer em sua estante. No fim, tudo dá certo.
Ah, sim. Aquela edição que encontrei foi substituída por uma em melhores condições, mas nunca esquecerei aquele momento mágico.  Mágico como uma história em quadrinhos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O fim dos quadrinhos?

Como vem sendo publicado em meios especializados, a leitura dos quadrinhos, como a conhecemos, está fadada ao desaparecimento. Várias são as causas. Abordemos apenas algumas:


1.                              Até meados da década de 1980, não havia muitas formas de um adolescente (em sua maioria) utilizar seu tempo de entretenimento. Uma forma barata e de fácil acesso (na maioria das cidades, pelo menos) era ir à banca mais próxima e adquirir a revista (ou “gibi”) de sua preferência. O cinema eram os quadros da revista, em que os desenhos e onomatopeias traziam à mente os ingredientes necessários ao entendimento das cenas de ação. Com o tempo, outras mídias foram ganhando espaço e a preferência dos adolescentes. Consoles, vídeos-cassete e uma queda na qualidade das histórias em quadrinhos foram afastando o público leitor das páginas das revisas. Nesse meio termo, editoras encerraram as atividades e o mercado se retraiu.


2.                              No meio da década passada, o golpe de misericórdia: a internet se apresentava ao mundo, da forma como a conhecemos. Com o seu desenvolvimento e crescente facilidade de acesso, o entretenimento passou das páginas amareladas das revistas para as páginas do mundo virtual. Paralelamente, com o avanço da própria internet e da tecnologia, as outras mídias também se modernizaram. Jogos on-line, realidades virtuais, interatividade em tempo real. Tudo isso tornou a indústria dos quadrinhos uma sobrevivente das tintas e celulose em meio aos bits e bytes do entretenimento moderno.

3.                                Em meio a tudo isso, as editoras não se preocuparam com a formação de novos leitores. Por exemplo, caso um indivíduo que não esteja acostumado aos quadrinhos impressos, assista a qualquer filme do Homem-aranha e se interesse pelo personagem ao ponto de comprar as revistas com suas histórias, perderá o fio da meada na segunda página da primeira história. Isso tem explicação. A cronologia dos personagens dos comics americanos está tão emaranhada que apenas um arqueólogo dos quadrinhos (uma pessoa que acompanha e compra tudo o que sai de determinado personagem) saberá explicar. E, nos filmes, há de se efetuar adaptações, a fim de que os expectadores, em sua maioria, à parte desse universo, possam entender os personagens e a história do filme. A cronologia oficial (comics) é muito mais complicada.
Diante desse quadro e da dificuldade em se convencer uma pessoa a começar a ler quadrinhos, as editoras passaram a apostar em um nicho mais específico de atuação: os velhos leitores. Hoje, é fácil encontrar antigas histórias compiladas em álbuns de luxo, com capa dura e materiais extras. Claramente focada no público da faixa dos trinta anos, essa estratégia busca aquelas pessoas que, geralmente, já estão estabilizadas profissionalmente e podem gastar um pouco mais com um produto que tiveram contato na infância ou adolescência e que agora podem obter com uma qualidade maior e que satisfaça sua nostalgia. Esses produtos, via de regra, são voltados a lojas especializadas e livrarias, buscando um público leitor diferente daquele das bancas de esquina. Essa estratégia mostra-se acertada, uma vez que a tiragem dessas publicações é menor, o que torna maior seu custo e, consequentemente, seu preço de capa.
Se essa abordagem salvará os quadrinhos, só o tempo dirá. A verdade é que hoje, quem sustenta, em parte, esse mercado, são os leitores que tinham suas tardes embaladas por sons como POW, SOC, BLAM...



sábado, 15 de janeiro de 2011

Meu início nos quadrinhos

Se me lembro bem, foi em 1980 que tive contato com minha primeira revista em quadrinhos. Era o Heróis da Tv 11, com histórias do Capitão Marvel, Mestre do Kung Fu e outros. Eu não gostava de quadrinhos de heróis. Lia somente Disney e as criações do Maurício (e ainda leio, diga-se de passagem). Mas resolvi dar uma chance àqueles heróis de papel. E agradeço até hoje por isso. Fiquei entusiasmado com a qualidade dos desenhos realistas e da qualidade dos roteiros. Claro, eram tempos menos sombrios nos quadrinhos e as histórias eram mais simples. Por isso mesmo, eram deliciosas de se ler. Nada de megassagas, crossovers e outros. Depois disso, passei a ler Conan, Capitão América e outros personagens publicados pela Abril.
Na época, morava em uma cidade muito pequena próxima ao Paraná e não chegavam muitas revistas. Então, a saída era recorrer aos sebos, onde eu fazia a festa, encontrando muitas revistas antigas. Quando chegavam as novas na banca, corria para lá gastar a minha mesada. Eram tempos em que não havia tantas mídias de entretenimento. O Atari ainda estava chegando ao mercado e era para poucos. O que sobrava eram os gibis. Mas, para mim, era o que bastava. Longas tardes embaixo das árvores, lendo aquelas histórias, apreciando cada quadro como se fossem imagens de TV. Inclusive, naquela época, as histórias do Mestre do kung Fu eram creditadas exatamente dessa forma: Roteiro, Imagens etc. Tempos depois foi a vez de Guerra nas Estrelas também ser creditada dessa formas nas revistas, reforçando ainda mais a ligação entre essa mídia e o cinema e tv.
Bom, para início é isso. Em breve, postarei mais sobre minha experiência pessoal e fatos curiosos relacionados aos quadrinhos.


Até lá!