domingo, 16 de janeiro de 2011

O fim dos quadrinhos?

Como vem sendo publicado em meios especializados, a leitura dos quadrinhos, como a conhecemos, está fadada ao desaparecimento. Várias são as causas. Abordemos apenas algumas:


1.                              Até meados da década de 1980, não havia muitas formas de um adolescente (em sua maioria) utilizar seu tempo de entretenimento. Uma forma barata e de fácil acesso (na maioria das cidades, pelo menos) era ir à banca mais próxima e adquirir a revista (ou “gibi”) de sua preferência. O cinema eram os quadros da revista, em que os desenhos e onomatopeias traziam à mente os ingredientes necessários ao entendimento das cenas de ação. Com o tempo, outras mídias foram ganhando espaço e a preferência dos adolescentes. Consoles, vídeos-cassete e uma queda na qualidade das histórias em quadrinhos foram afastando o público leitor das páginas das revisas. Nesse meio termo, editoras encerraram as atividades e o mercado se retraiu.


2.                              No meio da década passada, o golpe de misericórdia: a internet se apresentava ao mundo, da forma como a conhecemos. Com o seu desenvolvimento e crescente facilidade de acesso, o entretenimento passou das páginas amareladas das revistas para as páginas do mundo virtual. Paralelamente, com o avanço da própria internet e da tecnologia, as outras mídias também se modernizaram. Jogos on-line, realidades virtuais, interatividade em tempo real. Tudo isso tornou a indústria dos quadrinhos uma sobrevivente das tintas e celulose em meio aos bits e bytes do entretenimento moderno.

3.                                Em meio a tudo isso, as editoras não se preocuparam com a formação de novos leitores. Por exemplo, caso um indivíduo que não esteja acostumado aos quadrinhos impressos, assista a qualquer filme do Homem-aranha e se interesse pelo personagem ao ponto de comprar as revistas com suas histórias, perderá o fio da meada na segunda página da primeira história. Isso tem explicação. A cronologia dos personagens dos comics americanos está tão emaranhada que apenas um arqueólogo dos quadrinhos (uma pessoa que acompanha e compra tudo o que sai de determinado personagem) saberá explicar. E, nos filmes, há de se efetuar adaptações, a fim de que os expectadores, em sua maioria, à parte desse universo, possam entender os personagens e a história do filme. A cronologia oficial (comics) é muito mais complicada.
Diante desse quadro e da dificuldade em se convencer uma pessoa a começar a ler quadrinhos, as editoras passaram a apostar em um nicho mais específico de atuação: os velhos leitores. Hoje, é fácil encontrar antigas histórias compiladas em álbuns de luxo, com capa dura e materiais extras. Claramente focada no público da faixa dos trinta anos, essa estratégia busca aquelas pessoas que, geralmente, já estão estabilizadas profissionalmente e podem gastar um pouco mais com um produto que tiveram contato na infância ou adolescência e que agora podem obter com uma qualidade maior e que satisfaça sua nostalgia. Esses produtos, via de regra, são voltados a lojas especializadas e livrarias, buscando um público leitor diferente daquele das bancas de esquina. Essa estratégia mostra-se acertada, uma vez que a tiragem dessas publicações é menor, o que torna maior seu custo e, consequentemente, seu preço de capa.
Se essa abordagem salvará os quadrinhos, só o tempo dirá. A verdade é que hoje, quem sustenta, em parte, esse mercado, são os leitores que tinham suas tardes embaladas por sons como POW, SOC, BLAM...



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