Colecionadores de quadrinhos, geralmente, têm algumas
histórias para contar. Umas boas, outras ruins.
Esse fato que aconteceu comigo
foi, no mínimo, obra do destino que disse: “Esse é o cara”.
Por volta do ano de 1989, eu era um simples estudante do
segundo grau (sim, eram tempos pré-históricos), apenas tentando passar de ano e
conseguir comprar meus quadrinhos. Eu não trabalhava na época, então fazia
alguns “bicos” para conseguir manter esse vício que somente quem
vive esse mundo conhece.
Nessa época, como a grana era curta, eu acompanhava
apenas duas publicações: Homem-Aranha e A Espada Selvagem de Conan, ambas da
Abril. Naquele mês, já adquirira o HA.Faltava a Espada.
Mas, como na vida de pobre, a grana sempre acaba antes do
mês, fiquei liso e a revista já estava nas bancas. E justamente no mês em que
chegava ao fim a saga da Rainha da Costa Negra. Era a edição 57.
Pura pindaíba mesmo.
O jeito foi me conformar e continuar com os estudos. Mas confesso que a
decepção foi grande. Enfim, bola para frente.
Mas como disse lá em cima, o destino sorriu para mim de uma
forma que nunca imaginara. Lá pelas 23:00, voltando das aulas (é, eu estudava à
noite, para tentar trabalhar durante o dia), após me despedir de um colega de
classe, o que vi? Quando conto, ninguém acredita. À minha frente, a uns cinco
metros de distância, notei algo espalhado pelo chão. Nesse caso, a curiosidade
não matou o gato e eu me aproximei.
Quando cheguei perto, a surpresa (que todos já devem
desconfiar): a edição que não pude comprar estava ali, aberta, de capa para
cima, atraindo meu olhar de total incredulidade. Dizem que Davis Crippen é o
santo protetor dos quadrinhos. Se existe um santo para os colecionadores, juro
que não fiz qualquer promessa, mas mesmo assim, ela estava ali, ao meu alcance. Não pensei duas vezes, peguei-a e tratei de limpá-la. Estava
meio detonada, mas nada faltando e com capa em boas condições para uma revista
achada em plena rua àquela hora. Voltei para casa e devorei a revista com a
pressa de quem demorou muito a ler uma história há muito esperada.
Nunca soube se alguém perdeu ou se desfez da revista (neste
caso, agradeço pela pessoa não ter tido sendo ambiental), mas o fato é que não
pulei a edição e, nos meses seguintes, de uma forma ou de outra, consegui
comprar todas as edições. Poucos meses depois, consegui um emprego e as coisas
melhoram bastante.
Por isso, caros colecionadores, não desanimem perante alguma
dificuldade como namorada ou esposa que não lhe entende e algumas traças que
insistem em aparecer em sua estante. No fim, tudo dá certo.
Ah, sim. Aquela edição que encontrei foi substituída por uma
em melhores condições, mas nunca esquecerei aquele momento mágico. Mágico como uma história em quadrinhos.
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